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Nascida em 1995 no Rio de Janeiro, é graduada em História da Arte pela UERJ e trabalha principalmente com os meios da fotografia e da vídeo-arte. Começou na fotografia estudando de forma autodidata e fazendo autorretratos no início da adolescência. Desde então vem se especializando na produção de séries autorais e em bifurcações com outros corpos. Sua pesquisa parte de questões relativas às estruturas e limites do corpo, à fabulação e à construção de identidade enquanto dialoga com a técnica e o suporte fotográfico. Atua também como pesquisadora e assistente em instituições de arte no Rio de Janeiro.

Cosmo em Caos surgiu da necessidade do autossalvamento. Cosmo é aquele universo ordenado, com critérios  valores pré-estabelecidos. O Caos é o lugar onde tudo vale, os contornos são

inexistentes e a desordem se estabelece. No entanto, Caos também é o espaço vazio primordial, que gerou todo o Universo existente. Ser um Cosmo em Caos é se perder no mar de si mesmo, mas precisar ser o próprio farol que te guia. Só é possível criar um novo Universo do Eu quando se permite estar

em caos, se abrindo para o inusitado.

“Delirium” surgiu com o esgotamento. Meses tomando remédios psiquiátricos com o objetivo de me curar de algo que se tornou parte da minha personalidade, fui jogada de um lado para o outro sem controle algum. Controle este que nunca tive. Até descobrir qual remédio se encaixa, qual combinação é melhor, tomar um para aliviar os efeitos de outro e tomar outro para aliviar os efeitos de um, os efeitos colaterais se misturam com características que já existiam e as realçam. As bulas dos remédios não parecem distantes, pelo contrário, me identifico. Como seria se eu tivesse o controle?

A pontada aguda entre os seios me mortifica e me guia, um ser a parte dentro de mim que requer atenção e cuidados pois é ele quem controla. Rasgo a pele para escavar a aflição, quero pegá-lo

em minha mão e esmagar o máximo possível. Ação em vão, mas que alivia. A finalização da transferência da fotografia para o compensado destaca minha falta de controle: um erro e ela some. Mas na poesia o coloco sobre meu domínio, ou ao menos tento. Reorganizar essas frases e palavras como uma forma de voltar aos sentidos, colocar um pouco de eixo nas coisas. Talvez eu não tenha o controle de tudo, mas aqui posso criar um espaço de jogo onde sua presença e ausência se mesclam.

Aline Beatriz