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MIZURA

Mizura é um projeto de uma performance que deverá acontecer no Rio de Janeiro na Escadaria Selarón, assim que for possível fazer com segurança em relação à pandemia.  Mizura trata-se de uma criatura com sua estrutura física criada a partir da fibra do Tururi (fibra natural da palmeira do ubuçú, (Manicaria Saccifer) palmeira originária da Amazônia). O performer estará com o corpo envolvido por composições feitas por esta fibra e ouriço de Castanha Sapucaia, concebendo assim, uma criatura que deverá subir a escadaria. 

Trata-se de um projeto ainda em andamento podendo ocorrer algumas alterações até a sua realização. O que será exibido na exposição da Casa da Escada Colorida serão as imagens dos elementos que compõem a figura da persona. Mizura é a personificação de uma criatura da floresta criada a partir dos mitos da Amazônia, não se trata de nenhum em específico, nem a figura criada é um exemplo fiel de um, mas recebe influência de vários como, por exemplo, da matinta perera. A desconstrução da imagem já se dá a partir do nome Mizura com Z e não com S mesura: pronome muito utilizado na Amazônia que faz relação aos encantados. A ideia é criar algo que, ao mesmo tempo, se aproxima de alguma coisa no mesmo instante se afasta, isso já acontece com a desconstrução da palavra. 

Os elementos que compõem a “vestidura” receberam nomes de estruturas dos artrópodes na construção de um ser híbrido e assim trazer uma provocação aos sentidos. Não se trata de um site specific, essa criatura poderá atravessar as fronteiras, sem limites, ir muito além, ir onde quiser.  

Fazer na Escadaria Selarón será promover uma experiência aos que por ali passam, habitam, pessoas com realidades e contextos muito distintos. Uma conexão proposital do trabalho será com a Amazônia ou com a floresta pelo material utilizado, o que provocará uma interrogação aos que vivenciarem a ação. Por que um ser da mata ou de outro lugar, um ser estranho, estaria invadindo a cidade e o que veio fazer? Uma diversidade de seres está sendo expulsa de seu habitat natural e invadindo as urbes, os corpos, buscando outras moradas e isso não acontece apenas na Amazônia, um exemplo é o coronavírus. E quais outras criaturas também estão sendo suprimidas e o que querem nos dizer? A Mizura vem trazer essas interrogações e reflexões em torno deste argumento e as imagens que irão compor a exposição serão um prenúncio da vinda dessa criatura.  

 

identificação das imagens 

01.        Quitina (recobre a cabeça)

02.        Ocelo (por onde a criatura ver)

03.        Invólucro (o que recobre o corpo)

04.        Patas (o lhe dar sustentação ao corpo e lhe permite andar)

05.        Tentáculos (órgão para locomoção ou alimentação)

06.        Persona Mizura 

Rua Manuel Carneiro, 18 e 20

Rio de Janeiro, RJ 20241-120

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