ARTE E TERREIRO:
práticas artísticas contemporâneas entre culturas ancestrais afro-diaspóricas

Mini biografia

Luanda, artista, filha de santo rodante de terreiro de umbanda, doutora em artes pelo ppgav-ebaufrj e mestre em artes pelo ppgav-eca-usp. Trabalha com diversos meios e linguagens da arte contemporânea apresentadas pelas questões da ancestralidade, étnico-raciais, memória e tempo, conceitos trabalhados a partir da cultura do sagrado umbandista de matriz africana e afroindígena. Tem como eixo central em seu trabalho, a performance e a pintura que se desdobra em projetos de instalação, desenho, fotografia e vídeo. Há cinco anos criou o espaço de arte Ateliê Terreiro, seu ateliê de artista, mas que também inclui um grupo multiétnico com pessoas racializadas, praticantes da cultura afro brasileira e indígena e um evento mensal “Ateliê Terreiro Convida” com convidados externos ao grupo, pessoas negres e indígenes, que contribuem para a descolonização do conhecimento intelectual e artístico. Tem seu trabalho representado no Sul do Brasil por Galeria de Arte Mamute. Destaque para as exposições no Museu de Arte Contemporânea do RS/Porto Alegre, Solar dos Abacaxis/RJ, 2018, Galeria Aymoré/RJ, Centro Hélio Oiticica/ RJ, 2015 e 2017 Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos/ Rio de Janeiro, 2018. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Site: http://luanda.art.br

4 encontros por ZOOM (8h)

6, 13, 20 e 27 de  maio

Sextas, das 14h às 16h 

VALOR: R$180

O curso “Arte e Terreiro” apresenta reflexões em torno das questões da arte contemporânea brasileira na encruzilhada artística, espiritual e política, tecendo uma conversa teórica e de práticas artísticas a partir do território Atlântico Sul. A ideia do curso é realçar um núcleo de artistas que trabalham em conexão com sua espiritualidade e cosmologia africana em suas práticas artísticas. Portanto esse curso é um recorte de um nicho da arte afro-brasileira, tratando de arte e terreiro, envolvendo arte e sagrado, arte e espiritualidade e arte e culto à ancestralidade. São práticas artísticas muitos especiais no qual artistas trazem para suas obras não só citações do sagrado, dos encantamentos, mas também e principalmente a mistura de práticas sagradas e artísticas, amalgamando saberes ancestrais e artísticos. Assim, um ponto riscado vira um desenho, um benzimento vira um bordado, um dendê cobre superfícies e vira pintura, rituais viram performances. Há uma mistura homogênea de saberes ancestrais intrínseca e inerente a essa produção artística tornando difícil de saber o limite entre o que é arte e o que é sagrado.
 
Farei aulas com um debate que localiza no território Atlântico o princípio dos argumentos para desenvolvermos o que é a cultura do Terreiro e arte contemporânea com suas características afro-brasileiras, apresentando e discutindo trabalhos de artistas brasileiros que já desenvolvem essa relação, apontando para um movimento de decolonização do pensamento e das artes.
 
Conteúdo
O curso "Arte e Terreiro” traz o cruzamento entre arte e sagrado/ espiritualidade/ ancestralidade, afro-diaspórico e/ou indígena, a partir de saberes ancestrais dessas culturas no terreiro de Umbanda e Candomblé. Trata-se de uma sabedoria, geralmente adquirida por sacerdotes e filhes de sante, a ser compartilhada por pessoas interessadas nas questões decoloniais e assuntos étnico-raciais da nossa atualidade. Esse debate, como as questões decoloniais de negres, indígenes, mulheres plurais e lgbtqia+, será trabalhado, a partir de um espaço que é de memória ancestral e racial, como os terreiros. Nesse estudo e prática sobre cultura de terreiro, resistência cultural que nasceu na colonização e escravização, teremos aulas expositivas com filmes, vídeos e imagens, que trazem aspectos teóricos, localizando histórias e mostrando alguns terreiros de Umbanda e Candomblé, aliados ao pensamento de Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e teorias da História Atlântica, complementando com imagens de projetos e obras de artistas contemporâneos.
Em suma, proponho apresentar uma arte libertária, feita a partir de problemas anti-coloniais que querem e reviram narrativas comumente estabelecidas como aquelas normativas, centralizadoras e dominadoras em toda história da arte. Vamos estabelecer um pacto de arte-educação, sem preconceitos e intolerância religiosa, para produzir arte, a partir de um território sagrado de resistência cultural afro-brasileira, que perpetua até os dias de hoje em nossa sociedade e nos circuitos de arte como nas obras de arte afro-diaspóricas 
 

Público
​Artistas e pessoas interessadas em ancestralidade, decolonialidade e arte contemporânea.
 
Objetivos
1. Decolonizar a produção artística e a reflexão em arte contemporânea
2. Conhecer a cultura de terreiros
3. Desenvolver uma consciência artística contra-colonial e ancestral via Terreiro

Metodologia
 
Etapas
o curso terá 4 encontros de 02 horas cada encontro
a) Apresentação e debate teórico sobre arte, terreiro e decolonialidade: suas relações na arte
contemporânea brasileira na encruzilhada artística, espiritual, antropológica e política;
b) Apresentação de obras de artistas afro-brasileiros contemporâneos para debater e refletir sobre obras decoloniais;
c) Reflexões sobre a arte e cultura de terreiro, o decolonial e o saber ancestral;
 

Aulas
AULA 1: Território Atlântico, apresentação de um mapa da situação de trânsitos entre América, Atlântico e África. Contextualização deste território com obras dos artistas Aline Motta e Arjan Martins.Texto de Lélia Gonzalez . Filme Umbanda – Vó Luiza – o filme.
AULA 2:: Território Atlântico e alguns espaços museais e personagens do Atlântico. Museu do Percurso do Negro (Porto Alegre) e Museu de História e Cultura Afro-brasileira. Personagens Frederick Douglass, Luís Gama e os Pretos Velhos. Artistas Mestre Didi, Rubem Valentim e Maria Auxiliadora. Texto de Beatriz Nascimento. Filme Caboclo de Um Brasil Caboclo.
AULA 3:: Texto da tese Kalunga mu kizua-O mar em tempo de Luanda. Audição de músicas de Terreiro. Filme Benzedores de Santo Antônio. Artistas contemporâneos: Ayrson Heráclito, Moisés Patrício, Alexandre Oloxodê, Ana Beatriz Almeida.
AULA 4: Texto da tese Kalunga mu kizua-O mar em tempo de Luanda. Audição de músicas de Terreiro. Filme Jurema (Chica Xavier). Artistas contemporâneos: Luanda, Tiago Ortiz, Castiel Vitorino, Cipriano e Luísa Magaly.

Referências em livros, cânticos e filmes

 

livros:
CONDURU,Roberto. “Arte Afro-brasileira”. Belo Horizonte: C/ Arte, 2012.
———————————————. “Pérolas Negras Primeiros Fios”. Rio de Janeiro: Editora UERJ, 2013.
FRANCISCO, Luanda. “Kalunga mu Kizua - O Mar em Tempo”. Tese de Doutorado em Programa de Pós Graduação em Artes Visuais. Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, 2021. 
GOMES, Flávio; LAURIANO, Jaime; SCHWARCZ, Lilia.”Enciclopédia Negra”.São Paulo:Companhia das Letras, 2021.
GONÇALVES,Ana Maria. “Um Defeito de Cor”. Rio de Janeiro: Record, 2019.
GONZALEZ,Lélia. “A Categoria Político-Cultural de Amefricanidade”. Revista Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, Nº. 92/93 (jan./jun.). 1988b, p. 69-82.
JUNIOR,A.de Assis.”Dicionário Kimbundo-Prtuguês”. Luanda: Argente Santos, 1967. 
KILOMBA,Grada. “Memórias da Plantação”. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LOPES,Nei. “Novo Dicionário Banto do Brasil”. Rio de Janeiro: Pallas, 2012. 2a ed.
NOGUEIRA,Sidney. “Intolerância Religiosa”. São Paulo: Sueli Carneiro e Polén, 2020.
RATTS, Alex.“Eu sou Atlântica-sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento”.São Paulo: Imprensa Oficial, Instituto Kuanza, 2006.
SANTOS,Tiganá S.N. “A Cosmologia africana dos bantu-kongo” por Bunseki Fu Kiau: tradução negra, reflexões e diálogos a partir do Brasil. Tese de Doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo - USP, 2019.
VERGER, Pierre. “Lendas Africanas dos Orixás”. Salvador: Corrupio, 1997. 

cânticos
Apresentação de músicas de terreiro e versões contemporâneas de canções de terreiro em MPB e canto lírico.
 
filmes
Umbanda: Vó Luiza, o filme
Caboclo de um Brasil Caboclo
Benzedores do Porto de Santo Antônio
Jurema (Chica Xavier)
Jardim das Folhas Sagradas
exibição de trechos dos filmes
Orí (Eu sou Atlântica) (1989) filme de Raquel Gerber
Pierre Verger: o mensageiro entre dois mundos (1998) filme de Luiz Buarque de Holanda. Entre outros docs sobre artistas.